15h08 - quinta, 06/12/2018

Evolução ou Involução?


Napoleão Mira
Esta coisa de termos a possibilidade de assistirmos à transformação dos novos hábitos civilizacionais, faz com que sejamos espectadores privilegiados da revolução que invadiu os nossos dias.
Evoluímos a uma velocidade que, a meu ver, estaria fora de qualquer cogitação ou predição do mais conceituado dos futurólogos da nossa praça.
No espaço temporal que decorre entre duas gerações, geraram-se mudanças comportamentais que me fazem duvidar se estas serão benéficas ou maléficas para o grande objectivo da vida de cada um. Ou seja: se com elas, somos mais ou menos felizes.
Neste exercício, que me preocupa, reparo que cada vez temos menos tempo para nós, para os outros, ou mesmo para a família. Que a vida se faz um corre-corre. Numa lufa-lufa. Que passemos pelo tempo, sem darmos pelo tempo passar. E... a isto eu chamo involução. Estamos rodeados, ou mesmo subjugados, ao advento das novas tecnologias, sem as quais já não sabemos viver; mesmo sabendo que estas não nos trazem mais qualidade de vida.
Em conversa com um amigo, perguntei-lhe porque não atendia o telemóvel? Respondeu-me que estava a fazer um detox da internet, telefone, sms, redes sociais, enfim, desse maravilhoso mundo novo que lhe ocupava parte substancial do dia e que, ponderando créditos e débitos, verificados os prós e contras, decidira dedicar essas horas de rentabilidade duvidosa a si mesmo, a procurar ser feliz.
Aplaudi-lhe mentalmente a coragem e regressei a casa com este pensamento a invadir-me o cérebro.
Nessa viagem de regresso dei comigo a fazer exercícios comparativos. A espremer o sumo desses supostos benefícios da moderna tecnologia e, para além do espanto que me causa o engenho humano, fiquei a matutar nessas surpreendentes capacidades inventivas, mas, ao mesmo tempo, na falta de habilidade humana para procurarmos sermos felizes.



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Data: 22/02/2019
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