16h20 - quinta, 12/07/2018

Há futuro para os cereais?


Carlos Pinto
De acordo com os recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), desde 2012 que Portugal regista uma diminuição da área semeada de cereais, prevendo-se que na presente campanha se atinja um mínimo histórico de 121 mil hectares, "apenas" a menor área dos últimos 100 anos. Pior: segundo a mesma fonte, Portugal apenas produz trigo equivalente para seis por cento das suas necessidades anuais, sendo necessário importar o restante, com todos os prejuízos à economia nacional daí decorrentes.
Por tudo isto, o Ministério da Agricultura já tem em marcha a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, que o ministro Capoulas Santos iria, segundo algumas fontes, levar a conselho de ministros nesta última quinta-feira, 12 de Julho [já depois do fecho desta edição do "CA"]. As metas a alcançar e as acções a desenvolver no âmbito desta Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, visam, objectivamente, colocar Portugal a produzir muito mais que aquilo que produz actualmente. Não o suficiente para fazer face às necessidades do país, mas o suficiente para equilibrar a balança comercial de Portugal.
Ora para isso acontecer tem de haver apoios concretos (sobretudo financeiros) e uma visão do país como um todo, não privilegiando apenas determinados territórios "mais produtivos". É por isso que esta estratégia deve também ter em atenção zonas como o Campo Branco ou a margem direita do concelho de Mértola, onde a água para o regadio não existe e a produção de cereais é ainda uma actividade vital para as comunidades locais (e até para muitos produtos regionais de alta qualidade, como o pão alentejano).
Esperamos, portanto, que com a nova Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais se abra uma janela de esperança para os agricultores que hoje resistem a fazer trigo e cevada. E que com ela – a par de outras medidas – se consiga o necessário rejuvenescimento dos nossos campos.



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