18h22 - quinta, 04/08/2016

As festas de Verão


D. António Vitalino Dantas
Em muitas terras com emigrantes o tempo de férias traz vida e movimento aos dias adormecidos ao longo do ano, sobretudo nas aldeias do interior, desertificadas e envelhecidas. As comissões de festas procuram associar o convívio
e as devoções tradicionais da terra, mesmo que tenham de trasladar
para essa altura a comemoração dos padroeiros, misturando o profano e o religioso, pelo menos
nos seus cartazes publicitários, numa simbiose em que, por vezes, os actos de culto apenas aparecem no título da festa e na imagem da santinha, como se diz
no Alentejo.
Nem sempre as comissões se constituem com o conhecimento
da paróquia, nem os programas se combinam de acordo com os responsáveis da comunidade eclesial. Por isso não podemos chamar a isso de festas religiosas, mas simplesmente
de festas populares, em que as paróquias realizam alguns atos de culto, que fazem parte dos acontecimentos festivos, mas não são a festa.
Escrevo isto porque, por vezes, se exagera no programa das festas, nos gastos avultados, sobretudo em arruados, artistas convidados e fogo de artifício. O culto dos exibicionismos, das disputas entre comissões e das vaidades, que muitas vezes acaba em zangas e arruaças, não é muito próprio de uma festa popular nem muito menos
religiosa. As festas devem promover o convívio, a alegria entre a população, residentes e visitantes e, se religiosas, também a devoção e o fortalecimento da fé das pessoas.
Também não posso deixar de advertir as comissões
de festas ligadas à igreja, aos conselhos económicos paroquiais e às irmandades para terem cuidado com a legalidade fiscal, não favorecendo a fuga aos impostos sobretudo no pagamento aos artistas. E se os lucros económicos
da festa não se destinarem ao culto ou a outras finalidades da acção da igreja, também devem submeter-se às normas contributivas em vigor.
Festas sim, mas para promover, na simplicidade, o convívio, a alegria e a devoção, no respeito pelas leis em vigor. Assim vale a pena festejar e cansar-se, pois nada poderá pagar o lucro social e religioso daí resultante. Boas férias e boas festas são os meus votos.



Outros artigos de D. António Vitalino Dantas

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
08:09, Sexta-feira, 12 de Agosto de 2019
João Espinho
Destacado no blog Praça da República.

07h00 - sábado, 23/02/2019
Junta de Mértola
presta homenagem aos
pescadores do Guadiana
Salvaguardar "no tempo e memória" a importância da pesca tradicional no rio Guadiana é o grande objectivo da homenagem que a Junta de Freguesia de Mértola vai fazer aos pescadores locais neste sábado, 23.
07h00 - sábado, 23/02/2019
Câmara de Odemira
anuncia vencedores
de concurso de BD
A Câmara de Odemira e a associação "Sopa dos Artistas" revelam neste sábado, 23 de Fevereiro, os vencedores do Concurso Nacional de Banda Desenhada (BD), promovido no âmbito da 13ª edição da BDTECA-Mostra de Banda Desenhada de Odemira.
07h00 - sábado, 23/02/2019
Marco Rodrigues
ao vivo em Aljustrel
neste sábado, 23
O fadista Marco Rodrigues actua neste sábado, 23 de Fevereiro, na vila de Aljustrel, subindo ao palco do Cine Oriental a partir das 21h30.
07h00 - sexta, 22/02/2019
Somincor com lucro de 75,3 milhões em 2018
A Somincor-Sociedade Mineira de Neves-Corvo terminou 2018 com vendas na ordem dos 357 milhões de euros e um lucro bruto de 75,3 milhões de euros, naquele que foi o melhor resultado da empresa nos últimos quatro anos.
07h00 - sexta, 22/02/2019
"PSD tem que sair
da Praça da República"
O empresário Gonçalo Valente, 38 anos, é o novo presidente da Distrital de Beja do PSD e em entrevista ao "CA" revela as prioridades dos sociais-democratas da região para os próximos dois anos.

Data: 22/02/2019
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial