11h33 - sexta, 10/06/2016

Deixem-nos sonhar!


Napoleão Mira
Ele aí está, o Campeonato da Europa de Futebol.
Agora que somos clientes habituais das fases finais desta grandiosa competição, já não nos contentamos em apenas marcar presença e lamentarmo-nos com os erros do árbitro que ditou o nosso precoce afastamento do certame.
Ficar pela fase de grupos nem nos passa pela cabeça. Seria o mesmo que não ter sequer lá ido. Saltillo nunca mais!
Agora, ousamos querer chegar longe. Queremos discutir palmo a palmo, eliminatória a eliminatória com os colossos deste desporto e, quem sabe, se com muita raça e um pouco de sorte, não é desta vez que trazemos para casa o caneco.
Bem sabemos que este é um combate desigual. Que seremos sempre um punhado de Sansões contra um magote de Golias mas, como dizia o malogrado José Torres, "deixem-nos sonhar!"
Portugal visto de fora é um lugarejo insignificante, quase desconhecido, diria!
Se por alguma razão somos reconhecidos e admirados nas várias partidas do mundo é sobretudo ao futebol que o devemos agradecer.
Tive a oportunidade de constatar isso mesmo na longínqua Ásia. São sobretudo os jogadores de craveira mundial como Eusébio, Figo ou, ultimamente, Cristiano Ronaldo (este mais, por ainda estar no ativo) os grandes embaixadores deste minúsculo país.
Tanto que os nossos governantes utilizam as camisolas assinadas por CR7 para desbloquearem alguns negócios favoráveis a Portugal. Eu próprio, pelo simples facto de ostentar um passaporte do mesmo país, fui alvo de inesperados obséquios, como bebidas de oferta ou lugares privilegiados em restaurantes, só para dar dois exemplos das portas que os magos da bola nos abrem mundo fora.
Dizia com total propriedade um afamado economista finlandês que, se os portugueses se dedicassem a outra área mais proveitosa com o mesmo afinco que se dedicam ao futebol, Portugal seria uma potência mundial nesse particular em que se empenhassem.
Por agora só queremos ser nós próprios com as nossas virtudes e defeitos. Só queremos ver a bola a ganhar vida própria no relvado. Só queremos é aquele momento de magia orgásmica em que toda uma nação se esqueça das agruras e desavenças quando a bola beija as malhas contrárias e o golo acontece.
Só queremos é minis, tremoços e abraços.
Só queremos trivelas, reviengas, nós cegos e golaços.
Só queremos que nos deixem sonhar!



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