10h00 - quinta, 26/05/2016

Para lá do portão


Vítor Encarnação
A defesa dos mais fracos e dos que têm mais dificuldades é um traço fundamental das sociedades desenvolvidas e solidárias. A igualdade de oportunidades e a discriminação positiva são práticas inerentes a um estado humanista. Também as escolas, através dos seus diplomas, normas e regulamentos, têm vindo a manifestar essas preocupações com os alunos que revelam menores aptidões cognitivas ou desvios comportamentais, através da criação de projetos, gabinetes de psicologia, gabinetes de apoio ao aluno e à família, aulas de apoio, aulas de recuperação, aulas complementares, salas de estudo, tutorias. Nada há a apontar a estas ideias e a estas práticas. Elas são na sua essência boas e inquestionáveis.
E por essas ideias e essas práticas serem boas e inquestionáveis, elas definem cada vez mais as políticas nacionais e os projetos educativos locais. O problema é que o esforço feito pelas escolas para compensar os alunos mais carenciados ou problemáticos ultrapassa muitas vezes as suas próprias capacidades pedagógicas. E por outro lado, a intensidade - e por que não dizê-lo, a obsessão - com que as estruturas educativas tentam resolver essas diferenças, pode levar a uma desvalorização e a um esquecimento dos alunos que melhor respondem às solicitações e que de uma forma mais rápida progridem nas suas aprendizagens.
A resolução de um desequilíbrio não pode criar um outro desequilíbrio. Por muito fundamental e lógica que seja a preocupação, e não há claramente escassez de preocupação, a prática lectiva, não pode cingir-se à resolução de conflitos, às abordagens diferenciadas na sala de aula, aos apoios individualizados, às medidas correctivas, às fichas de ocorrência, aos procedimentos disciplinares e aos pacientes e sistemáticos reforços positivos para não criar traumas nas crianças, sob pena, por ausência de tempo, de se estar a fazer tábua rasa dos direitos consignados no estatuto do aluno, nomeadamente que um grande número de alunos cumpridores possa ver reconhecidos e valorizados o seu mérito, a sua dedicação, a sua assiduidade e o seu esforço no trabalho e no desempenho escolar.
É este o grande desafio das escolas: como conseguir conciliar dois direitos sem que um anule o outro ou lhe retire espaço. E se os professores não tiverem tempo nem capacidade para conciliar os dois extremos ajudando ao mesmo tempo uns e outros, qual dos direitos deve prevalecer?
É preciso perceber, sem preconceitos moralistas ou ideológicos, se o caminho está a ser bem trilhado e estamos a formar cidadãos capazes ou se estamos, através das escolas, apenas a dar exemplos teoricamente inatacáveis de uma sociedade muito justa e equitativa.
É que quando alguns alunos passam o portão já trazem os problemas todos dentro das suas mochilas.



Outros artigos de Vítor Encarnação

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - quarta, 28/06/2017
ACOS apoia agricultores afectados
pelo incêndio de Pedrógão Grande
A ACOS–Agricultores do Sul iniciou esta terça-feira, 27, junto dos seus associados, uma campanha solidária com os agricultores da região Centro, cujas explorações foram devastadas pelos incêndios de Pedrógão Grande e Góis.
07h00 - quarta, 28/06/2017
Cadáver encontrado
junto ao cais de Mértola
O cadáver de um homem com cerca de 40 anos foi encontrado esta terça-feira, 27 de Junho, por populares na margem do rio Guadiana, junto ao cais da vila de Mértola.
07h00 - quarta, 28/06/2017
Paulo Conde candidato
da CDU em Ferreira
O funcionário público Paulo Conde, de 47 anos, vai ser o candidato da CDU à presidência da Câmara de Ferreira do Alentejo nas eleições Autárquicas agendadas para 1 de Outubro.
07h00 - terça, 27/06/2017
Três títulos de ciclismo
para a equipa da Casa
do Benfica de Almodôvar
A equipa de ciclismo Master da Casa do Benfica em Almodôvar garantiu no passado fim-de-semana, 24 e 25 de Junho, três títulos de campeão nacional e viu ainda dois atletas sagrarem-se vice-campeões nacionais.
07h00 - terça, 27/06/2017
Recuperação ambiental
na Mina de S. Domingos
Já estão a decorrer os trabalhos da primeira fase do projecto de recuperação ambiental da Mina de São Domingos, no concelho de Mértola, investimento avaliado em de 3,8 milhões de euros que deverá estar concluído em Agosto do próximo ano.

Data: 23/06/2017
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial