12h10 - quinta, 12/05/2016

A família na missão da Igreja Católica


D. António Vitalino Dantas
No Alentejo muitos membros da família não têm contacto regular com as comunidades cristãs. Nas nossas assembleias dominicais predominam as crianças e as mulheres, sobretudo idosas. Faltam muitos membros da família nesse encontro dominical. Por isso temos de encontrar tempo e meios para nos encontrarmos com esses membros, importantes no agregado familiar e na educação dos mais novos. Aqui se aplica a expressão do Papa Francisco de que temos de ser uma Igreja em saída, uma Igreja que vai ao encontro das pessoas, dos idosos, dos doentes, dos pais sem tempo e sem ritmo dominical. Como? Precisamos de ser criativos.
Recentemente, participando num evento social, tomei um pouco mais de tempo para falar com alguns participantes, sobretudo homens, que normalmente não se encontram com padres e muito menos com bispos. Pois ouvi testemunhos de vida que me comoveram e que normalmente não se escutam nem veem nas nossas assembleias dominicais.
Afinal há muitas atitudes de fé naqueles com quem normalmente não nos encontramos. Como fomentar estes encontros e ajudar as pessoas e as famílias no seu desenvolvimento e apoiá-las nas suas potencialidades educativas e sociais?
Temos muitas oportunidades desperdiçadas. Queremos sempre falar e fazer discursos moralistas sem escutar as pessoas, com os seus problemas profundos e sabedoria natural. Reuniões de pais, preparação de baptismos, preparação de casamentos, de primeiras comunhões, de crismas, de ajuda social, etc. Mais que ensinar, precisamos de escutar, perguntar, ouvir as suas respostas e ajudá-los a escutar a Palavra de Deus mais que a nossa. Um gesto, um testemunho vale mais que mil palavras, diz-se.
Também na família e na escola precisamos de escutar os mais novos e ajudar-nos mutuamente a encontrar as respostas. Esta é a pedagogia de Jesus, como ouvimos no evangelho do jovem que foi perguntar-lhe o que é preciso para alcançar a vida eterna (Mc 10, 17 ss).
Acompanhar, escutar, perguntar, ouvir e descobrir os caminhos da vida, na entreajuda fraterna, familiar e eclesial são sabedoria e património fundamental para aprofundarmos as nossas raízes e relações e ajudarmos quem está em crise pessoal ou comunitária.



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