12h32 - quinta, 21/01/2016

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Napoleão Mira
Não! Não é nenhum indicativo telefónico, nem nenhuma terminação de lotaria, nem mesmo uma secreta combinação numérica que permita abrir um cofre. É tão só, um número que não me sai da cabeça e que me deixa a remoer sobre os contornos humanos e sociais que conduziram a tão fatídico resultado.
Grudo de novo o ouvido na telefonia, não fora eu ter ouvido mal o resultado do somatório que a locutora comunicava com voz grave e pausada; como se nos anunciasse a morte de um familiar.
Daí a pouco, a voz feminina que dirigia o programa volta a mencionar o número duzentos e oitenta e uma. Sim! No feminino.
Sim! São duzentas e oitenta e uma, as aldeias portuguesas que nas últimas décadas perderam a totalidade dos seus habitantes.
Sim! Zero habitantes. Apenas silêncio. O ensurdecedor silêncio dos que partiram mais o de quem nada fez para parar esta assustadora debandada.
Ao que parece, algumas delas estão a ser recuperadas para a prática do turismo. Do mal o menos. Pode ser que a moda pegue e, de repente, esses lugarejos perdidos voltem a ter corações a bater pelo empedrado das suas ruas.
Ao ouvir este programa, dei comigo a pensar na minha terra, Entradas.
No ano em que nasci, 1956, éramos cerca de duas mil almas. Sessenta anos passados, pouco mais de quinhentos seremos. E deste quinhão, 70% terão mais de 65 anos. As crianças nascem a conta gotas, numa proporção que equaciono de um nascimento para vinte óbitos.
Nunca pensei poder assistir a tão decrépito espetáculo. Mas, fazendo uma rápida conta, somando esperanças de vida com desesperanças de futuro, chego à conclusão que em vinte anos estaremos reduzidos à condição de monte.
Tudo isto numa terra que já foi sede de concelho e tem todas as condições para oferecer a quem aqui quiser viver uma qualidade de vida que reputo da melhor que há.
O que estaremos nós a fazer de errado?



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Data: 12/01/2018
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