11h08 - quinta, 06/08/2015

Festas populares
em tempo de férias


D. António Vitalino Dantas
Em muitas terras com emigrantes o tempo de férias traz vida e movimento aos dias adormecidos ao longo do ano, sobretudo nas aldeias do interior, desertificadas e envelhecidas. As comissões de festas procuram associar o convívio e as devoções tradicionais da terra, mesmo que tenham de trasladar para essa altura a comemoração dos padroeiros, misturando o profano e o religioso, pelo menos nos seus cartazes publicitários, numa simbiose em que, por vezes, os actos de culto apenas aparecem no título da festa e na imagem da santinha, como se diz no Alentejo.
Nem sempre as comissões se constituem com o conhecimento da paróquia, nem os programas se combinam de acordo com os responsáveis da comunidade eclesial. Por isso não podemos chamar a isso de festas religiosas, mas simplesmente de festas populares, em que as paróquias realizam alguns atos de culto, que fazem parte dos acontecimentos festivos, mas não são a festa.
Escrevo isto porque, por vezes, se exagera no programa das festas, nos gastos avultados, sobretudo em arruados, artistas convidados e fogo de artifício. O culto dos exibicionismos, das disputas entre comissões e das vaidades, que muitas vezes acaba em zangas e arruaças, não é muito próprio de uma festa popular nem muito menos religiosa. As festas devem promover o convívio, a alegria entre a população, residentes e visitantes e, se religiosas, também a devoção e o fortalecimento da fé das pessoas.
Também não posso deixar de advertir as comissões de festas ligadas à igreja, aos conselhos económicos paroquiais e às irmandades para terem cuidado com a legalidade fiscal, não favorecendo a fuga aos impostos sobretudo no pagamento aos artistas. E se os lucros económicos da festa não se destinarem ao culto ou a outras finalidades da acção da igreja, também devem submeter-se às normas contributivas em vigor.
Festas sim, mas para promover, na simplicidade, o convívio, a alegria e a devoção, no respeito pelas leis em vigor. Assim vale a pena festejar e cansar-se, pois nada poderá pagar o lucro social e religioso daí resultante. Boas férias e boas festas são os meus votos.



Outros artigos de D. António Vitalino Dantas

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
11h00 - sexta, 25/05/2018
Feira do Talego e
Avental em Ferreira
A União das Freguesias de Ferreira do Alentejo e Canhestros promove nesta sexta-feira, 25, mais uma edição da Feira do Talego e Avental, que decorre a partir das 19h00 na Praça Comendador Infante Passanha.
07h00 - sexta, 25/05/2018
Carlos Moedas participa em iniciativas em Beja
O bejense Carlos Moedas, actual comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, vai estar nesta sexta-feira, 25, na cidade de Beja, participando em duas iniciativas.
07h00 - sexta, 25/05/2018
Feira dos Sabores
em Santana da Serra
A aldeia de Santana da Serra, no concelho de Ourique, está em festa neste fim-de-semana, 25 a 27 de Maio, com a realização de mais uma edição da Feira dos Saberes e Sabores.
07h00 - sexta, 25/05/2018
Procuradora japonesa
no Lab UbiNet do IPBeja
A procuradora do Ministério Publico de Tóquio, capitão do Japão, visita nesta sexta-feira, 25 de Maio, o laboratório UbiNET do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja).
07h00 - sexta, 25/05/2018
Beja "capital" da
banda desenhada
Ao longo das próximas duas semanas a cidade de Beja vai ser a "capital nacional" da banda desenada (BD), com a realização de mais uma edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja.

Data: 18/05/2018
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial