11h33 - sexta, 10/07/2015

Visão bíblica do homem e do mundo


D. António Vitalino Dantas
O Papa Francisco ao escrever uma encíclica sobre a ecologia não ultrapassou as suas competências ou quebrou as raízes da visão bíblica sobre o homem e a criação, abordando um tema da moda de alguns pensadores, tomando posição contra quem defende uma economia de mercado e um desenvolvimento ilimitado, sempre crescente, sem preocupação com o ambiente. Bem pelo contrário. Alguns querem empurrar a Igreja e os cristãos para a sacristia, para uma expressão da fé privada, fora do espaço público. A Bíblia não é um livro de ciência moderna, mas não deixa de ser uma leitura inspirada pelo Espírito Santo da vida do ser humano situado no planeta terra, lendo os acontecimentos da sua história na perspetiva da sua orientação para Deus.
A isto se refere o Papa no nº 63: "Se tivermos presente a complexidade da crise ecológica e as suas múltiplas causas, deveremos reconhecer que as soluções não podem vir de uma única maneira de interpretar e transformar a realidade. É necessário recorrer também às diversas riquezas culturais dos povos, à arte e à poesia, à vida interior e à espiritualidade".
Por isso o Papa aponta, logo no segundo capítulo da encíclica, a visão bíblica do homem e do mundo, encontrando aí os fundamentos de uma ecologia integral, ou seja, do ser humano considerado em todas as suas dimensões e relações: consigo próprio, com o ambiente, com os seus semelhantes e com Deus. Desde o primeiro capítulo do livro do Génesis até ao último versículo do Apocalipse encontramos os fundamentos de uma atitude de respeito, de admiração, de gratidão e de amor do ser humano para com todos os outros seres. Ninguém deve viver para si mesmo. Viver para os outros implica cuidar e guardar tudo e todos os que nos rodeiam. Quer vivamos quer morramos devemos viver para o Senhor, confessa S. Paulo na carta aos Romanos (14, 7 ss). Um coração que ama nunca é indiferente a qualquer ser, seja humano ou de outra espécie (nº 91 s).
Neste capítulo o Papa dirige-se sobretudo aos cristãos, afirmando que é importante conhecerem as raízes da sua fé, para poderem dar o seu contributo para a presente crise ecológica que o mundo atravessa. Quem está empenhado na dignidade da pessoa humana e na procura da viabilidade de um desenvolvimento justo e para todos encontra na fé cristã as razões profundas para tal compromisso (nº 65).
A liberdade da pessoa não é absoluta. Realiza-se na relação harmoniosa com os outros seres e no respeito da sua dignidade, não lhe conferindo o direito de os usar como objetos ou escravos dos seus desejos egoístas e relativistas. A doutrina social da Igreja, de que tratei em notas anteriores, ajuda-nos a realizar esta relação harmoniosa com toda a criação.



Outros artigos de D. António Vitalino Dantas

COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - terça, 20/11/2018
CM Ourique contra
fecho da estação dos CTT
A Câmara de Ourique considera "inaceitável" a intenção dos CTT de encerrar a operação directa no concelho, concessionando o serviço público postal a uma entidade terceira, que assumirá quase todas as responsabilidades da actual estação.
07h00 - terça, 20/11/2018
CM Beja adjudica
expansão da ZAE
A Câmara de Beja adjudicou nesta segunda-feira, 19 de Novembro, a empreitada de expansão da Zona de Acolhimento Empresarial Norte, avaliada em cerca de 1,7 milhões de euros, à empresa Construções JJR & Filhos.
07h00 - terça, 20/11/2018
Campanha de Natal
em Castro Verde
A Câmara de Castro Verde promove até ao dia 6 de Janeiro a campanha "Neste Natal, Ofereça Castro Verde-Compre no Comércio Local", que visa ser um estímulo à revitalização do espaço comercial do concelho.
07h00 - segunda, 19/11/2018
CIMBAL contra fecho de estações dos CTT
A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) veio a público manifestar o seu "total desacordo" com o encerramento de estações dos CTT na região ou a sua transformação em postos de correio geridos por terceiros.
07h00 - segunda, 19/11/2018
Vinhos do Alentejo
valorizados no preço
para exportação
Os vinhos da região do Alentejo registaram no primeiro semestre de 2018 uma valorização de 9% no preço de exportação face ao período homólogo de 2017, revela a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).

Data: 09/11/2018
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial