11h40 - sexta, 15/05/2015

Desencanto


Napoleão Mira
Vêm aí as eleições legislativas!
E, com elas, as fórmulas mágicas dos partidos do chamado arco da governação que, por artes malabares irão resgatar-nos da crise, agora, e de vez!
Irão restituir-nos o que nos foi surripiado, baixar os impostos, enfim, devolver-nos o sorriso que há muito anda afastado do rosto dos portugueses.
Passos Coelho e camarilha, afirmam a pés juntos que o pior já passou. Atiram-nos à cara um chorrilho de estatísticas encomendadas, ao mesmo tempo que nos atemorizam com a frase: "Ou nós, ou o caos!"
António Costa encarrega estudo a reputados economistas numa tentativa de credibilizar as suas propostas. Estas, curiosamente, consistem na mesma música tocada pelos trompetistas do poleiro. Aliviar a carga fiscal, criar emprego, fazer crescer a economia e, por fim, devolver o sorriso que há muito falta na cara dos portugueses.
Bem sei que eleições são isto mesmo. Passam por conjugar o verbo prometer em todas as suas variantes, para depois, no poleiro trocarem a trompete pelo chicote e açoitarem durante mais quatro anos o costado dos indígenas.
Eu e pelo menos cerca de 50% dos portugueses, há muito que deixámos de acreditar nas balelas, nos arpejos celestiais com que nos pretendem embalar por estas alturas.
A desilusão é de tal ordem, que só me apetece seguir o conselho de José Saramago no seu Ensaio Sobre a Lucidez e... votar em branco. Esperar que os meus concidadãos façam o mesmo e, que desse exercício, resulte um golpe de estado democrático, que faça implodir o viciado sistema eleitoral e parlamentar em que vivemos.
Sim! Quero continuar a viver em democracia. Numa democracia onde os valores da verdade, da justiça, da igualdade de oportunidades não sejam meros prometimentos eleitorais. Para tal, é necessário inverter o ciclo vicioso do, ora tu, ora eu, a que vimos assistindo nas últimas décadas. É fundamental que se criem alternativas junto da sociedade. Que os cidadãos de conhecimento, traquejo e boa vontade sejam chamados a terreiro.
O sistema partidário em que vivemos transformou-se numa casta apodrecida, num lamaçal esponjoso, num beco mal frequentado onde (pasme-se!), o individuo que se intitula primeiro-ministro, até faz o elogio público da banditagem.



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