12h51 - sexta, 10/10/2014

Não há estratégia no "Pós-Alqueva"


Aníbal Reis Costa
A nossa região tem um grave problema: o Partido mais votado, a nível nacional, nas (distantes) eleições de 2011 é apenas o terceiro classificado no nosso círculo eleitoral. Esta discrepância é agravada pelo facto de apenas elegermos 3 (três!) eleitores, cabendo a cada força eleitoral, como se sabe, apenas 1. Somos poucos e estamos divididos.
Poderia ser apenas este o problema, mas o mais grave é que, com exceções, os responsáveis governamentais (muito disto se tem passado no Governo atual) estão pouco "sensibilizados" para os nossos problemas, anseios, estratégias, etc. Não sabem e também, parece, não tem grande interesse em saber. Com exceção de algumas deslocações oficiais (Ovibeja, alguns investimentos privados e pouco mais) temos assistido a "vindas" muito esporádicas de responsáveis e interesse ainda mais reduzido...
A Ministra da Agricultura fala de Alqueva (como se fosse obra própria) com uma compilação alargada de "clichés" e "lugares-comuns", dizendo que o Alqueva permitirá aumentar a disponibilidade de água para os agricultores para a produção do "nosso vinho, nosso azeite", etc, mas para além de avançar para um projeto consensualizado e projetado, durante anos, o que mais foi feito?
Todos nós concordamos e (nalguns casos) sentimos, o quão positivo e decisivo foi o avanço do regadio, com novas culturas, novas tecnologias, enfim Nova Agricultura. Ninguém poderá imaginar o Alentejo sem água para competir com as outras regiões/países do Mundo. Sem água perderemos todas e quaisquer expectativas de Desenvolvimento...!
O Alqueva permitirá passar dos 68 000 ha de regadio instalados para uma área de 120 000 ha com todo o potencial que representa. Tudo isto está tudo certo, mas só se conseguirá garantir maior empregabilidade (que o setor agrícola, está provado, não assegura convenientemente) se passarmos para a "segunda fase do Alqueva", isto é: o desenvolvimento da fileira Agroindustrial. E quanto a isso, até agora o que se disse e planeou? ZERO!
Como se vai permitir que novas unidades agroindustriais se instalem em "áreas de uso agrícola predominante" (RAN) e/ou "áreas de proteção e valorização ambiental" (REN, REDE NATURA, por ex) ou, nalguns (menos) casos de "desafetação" de áreas de regadio para aí se poderem instalar investimentos industriais "valorizadores da atividade?
Em 2002, o Município de Ferreira do Alentejo, em conjunto com outras entidades, como foi o caso da EDIA e o próprio Ministério da Agricultura, lançaram uma "iniciativa-piloto" com vista a criação de uma "área preferencial para o uso agroindustrial", tendo por base as expectativas criadas com a primeira zona de regadio do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva. Se bem que o modelo pensado inicialmente tenha carecido de vários acertos, a verdade é que, em 2007, começaram a instalar-se (com condições específicas muito favoráveis) várias empresas, estando agora, dos 50 ha iniciais, menos de 15 disponíveis para acolher investimentos e estando o Município a diligenciar, neste momento, em sede de revisão do PDM, para o alargamento da área...!
Esta zona (Parque Agroindustrial do Penique) foi, é (e não se vislumbra que o deixe de ser) a única inciativa para a criação de uma zona agroindustrial numa região como o Alentejo que continua, apesar das "palavras ocas e inconsequentes" de governantes, a acolher muitos investimentos na fileira agrícola, mas que, por força de vários fatores, invariavelmente tem que "exportar" as mais valias agroindustriais para outras regiões do País...
Será para isso que o Alqueva serve, para criar mais valia...fora do Alentejo?
É imperioso e urgente que, a par dos investimentos agrícolas, se possam criar condições para se possa instalar a agroindústria. Só assim podemos aspirar a que o projeto do Alqueva, nas suas várias vertentes, assuma verdadeiramente o papel de Desenvolvimento da região e do país que, desde que foi aprovado, no longínquo ano de 1975, sempre contemplou.
Caso contrário estaremos sempre a criar falsas expectativas e a dificultar a vida aos possíveis empreendedores/investidores que procuram condições únicas (como aquelas que oferecemos) para a produção de produtos agrícolas diferenciadores e de qualidade reconhecida...

Artigo escrito com o novo Acordo Ortográfico



COMENTÁRIOS

* O endereço de email não será publicado
07h00 - terça, 18/09/2018
Protocolo entre
Câmara de Aljustrel
e Associação Dignitude
A Câmara de Aljustrel e a Associação Dignitude assinaram nesta segunda-feira, 17, um protocolo de colaboração tendo em vista a concretização do programa ABEM-Rede Solidária do Medicamento no concelho.
07h00 - terça, 18/09/2018
EMAS Beja alcança
os melhores resultados
dos últimos 10 anos
A Empresa Municipal de Água e Saneamento (EMAS) de Beja faz um balançao "extremamente positivo" dos trabalhos da intervenção global de substituição de ramais que decorre por todo o concelho de Beja desde o início de 2018.
07h00 - terça, 18/09/2018
Ministro da Economia
visita Vale da Rosa
O ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, vai visitar nesta terça-feira, 18, pelas 13h00, a Herdade Vale da Rosa, no concelho de Ferreira do Alentejo, que é a maior produtora nacional de uvas de mesa.
07h00 - terça, 18/09/2018
Vestígios arqueológicos
encontrados em Ourique
As obras de requalificação do centro histórico de Ourique, promovidas pela autarquia local, revelaram um conjunto de importantes testemunhos patrimoniais reveladores da história da vila, da população e dos seus hábitos comunitários de outros tempos.
07h00 - segunda, 17/09/2018
Mértola recebe acção
do "Tourism Up"
Apoiar projectos de empreendedorismo na área do turismo e promover os produtos endógeno são duas das metas do programa "Tourism Up", que promove nesta segunda-feira, 17, uma oficina em Mértola.

Data: 14/09/2018
Edição n.º:
Contactos - Publicidade - Estatuto Editorial