07h00 - sexta, 09/11/2018

"Ganhar a Taça é o
objectivo do Almodôvar"

"Ganhar a Taça é o objectivo do Almodôvar"

O Desportivo de Almodôvar continua a alimentar o desejo de conquistar a Taça do Distrito de Beja, ambição reiterada pelo técnico Sandro Almeida em entrevista ao "CA" desta sexta-feira, 9 de Novembro. "A Taça do Distrito é o nosso objectivo número um! Queremos tentar ganhar essa competição, pois já fomos a uma final há dois anos e perdemos", assume.

A que se propõe o Desportivo de Almodôvar em 2018-2019?
O que queremos é fazer um campeonato à luz do que fizemos nos últimos dois anos: um campeonato tranquilo, andar nos lugares cimeiros, tentar conquistar a Taça do Distrito de Beja – que é um troféu que nos falta – e, para já, chegar à final four da Taça de Honra. Também houve, da parte da Direcção, o pedido para que apostássemos ainda mais na formação. Hoje em dia fala-se muito na formação – veja-se os casos de Benfica, Sporting, FC Porto ou Sp. Braga – mas o Almodôvar já faz isso há muito tempo. E queremos continuar a apostar nos valores da nossa terra!

Disse que a equipa quer andar nos lugares cimeiros. Isso implica estar na "luta" pelo título ou essa possibilidade está fora de questão?
Nunca está fora de questão, mas estar nos lugares cimeiros é uma coisa completamente diferente de andar a lutar pelo título. Sabemos que neste campeonato há uma equipa fortíssima, que é o Mineiro Aljustrelense, que foi buscar jogadores para subir de divisão. Depois há o Almodôvar, que vai tentar contrariar esse favoritismo do Mineiro – o que não é fácil. Há ainda o Castrense, que é sempre um crónico candidato a ser campeão. E o Milfontes também anda sempre nos lugares cimeiros…

Ou seja, o Almodôvar quer estar na frente do campeonato – sem lutar pelo título – e, sobretudo, ganhar a Taça do Distrito?
A Taça do Distrito é o nosso objectivo número um! Queremos tentar ganhar essa competição, pois já fomos a uma final há dois anos e perdemos.

Temos um campeonato distrital com apenas 11 equipas. Isso é bom ou mau para o futebol do distrito de Beja?
Para mim é mau, porque retira um bocado de tempo de competição – daí se ter criado esta Taça de Honra. Mas creio que o futuro passará por termos no campeonato distrital com 12 equipas.

Porquê?
Porque senão vamos andar outra vez a correr atrás do mesmo. São 14 equipas, mas depois há equipas que sobem e não querem ir para a 1ª divisão por qualquer razão… Então acaba-se de vez com isso e faz-se um campeonato com 12 equipas. Por exemplo, aqui ao lado, no Algarve, que é um distrito grande e com muitos jogadores, só há 12 equipas na 1ª divisão. Porque é que o distrito de Beja, que é geograficamente muito grande mas tem pouca gente, tem 14 [equipas]?

Na sua opinião, um campeonato a 12 poderia favorecia a evolução do futebol no distrito? Por exemplo, há treinadores que reconhecem que com 11 equipas o campeonato é mais equilibrado, pois os jogadores estão mais concentrados…
Para mim haver um campeonato com 12 equipas era o ideal! Concentrava mais os jogadores, havia muito mais qualidade, mais espectáculo e mais gente no futebol.

O Sandro Almeida está ligado ao futebol distrital há décadas. Como é que encara o facto de hoje não haver campeonato distrital de juniores e de o novo campeonato de sub-23 só ter quatro equipas?
É preocupante, muito preocupante… Se recuarmos 30 anos, quando eu era jovem, havia dezenas de equipas de juvenis, mais 14 ou 16 equipas de juniores… Havia muitos jogadores e hoje em dia não é assim! Até pode haver até aos iniciados, mas a partir daí deixam de existir. Cada vez há menos jovens – e a desertificação do nosso Alentejo é bem patente – e depois há coisas que não haviam, como as redes sociais. Por isso, se formos ver, nos petizes, traquinas ou benjamins há muitas equipas. A partir dos iniciados é que é preocupante…

E como é que se resolve este problema?
É difícil, é difícil… Até porque a taxa de natalidade está muito fraca [risos]! Mas isto não se verifica só no nosso Alentejo. A nível nacional é um mal geral. Temos é de tentar trabalhar o melhor que se consegue com estes recursos. E vejo isto com preocupação tanto ao nível de jogadores como ao nível da arbitragem! Porque, segundo sei, cada vez há menos árbitros e isso também é muito preocupante.

Voltando ao Desportivo de Almodôvar, frisou que há muito que o clube aposta na formação. Nesse sentido, que futuro perspectiva para o clube?
Tendo em conta os anos anteriores estou tranquilo, porque vejo que podemos ir buscar jogadores às camadas jovens e formá-los para depois serem utilizados nos seniores. Vejo isto com agrado e acho que os outros clubes do distrito deviam seguir este exemplo, porque isto é o futuro. Porque com as dificuldades económicas que estamos a atravessar, não vejo outra maneira de actuar que não esta do Almodôvar.

Apostar na formação e ter equipas competitivas, mas sem a "loucura" de ter de subir?
Sim, pois temos de ter os pés bem assentes no chão. Estivemos no nacional, que foi uma experiência muito rica e onde tivemos uma participação digna. Mas se olharmos bem para os últimos anos, as equipas que subiram depois de nós desceram logo a seguir. Todas com orçamentos muito superiores aos que tínhamos! É giro e bonito andarmos no nacional, a equipa e o clube crescem, mas e depois? E o rombo financeiro que isso traz? Essas idas aos nacionais podem fazer com que o clube pague caro no futuro. Por isso temos de ser realistas e, cada vez mais, o Campeonato Nacional de Seniores é de uma exigência muito forte. Ir para essas divisões pode trazer muito graves preocupações a nível financeiro para qualquer clube do distrito de Beja. É a minha opinião, vale o que vale… Mas também friso: quem luta para subir, quem quer ser campeão, sabe de antemão que tem estar preparado para o que vai encontrar [nos nacionais].

Seguindo essa linha de raciocínio, e tendo em conta a realidade distrital, é cada vez mais utópico pensar em ter várias equipas em simultâneo nos nacionais?
É muito, muito difícil! Dou o exemplo do Moura AC: há muitos anos que está nesta divisão e não está sendo fácil nesta temporada. Moura é uma cidade, tem recursos e estar permanentemente naquela divisão cria raízes, mas também cria um desgaste financeiro muito grande. E não prevejo que uma equipa do nosso distrito esteja muitos anos nos nacionais. Infelizmente é assim, mas é a realidade!


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Data: 17/05/2019
Edição n.º:
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