07h00 - sexta, 21/09/2018

Presidente da AB Roxo:
"Regadio vai ser grande
alternativa às minas"

Presidente da AB Roxo: "Regadio vai ser grande alternativa às minas"

A barragem do Roxo começou a regar os campos em seu redor há 50 anos e o presidente da Associação de Beneficiários do Roxo (ABR) faz uma avaliação muito positiva do caminho percorrido desde 1968. "Este modelo das associações de regantes tem funcionado bem e esta é a principal marca. Tem servido os interesses do país, tem sabido gerir a água sem precisar de ajudas estatais e os agricultores têm sido sempre bem servidos", diz António Parreira em entrevista ao "CA".

Qual a principal marca que fica destes 50 anos de Roxo?
Sem dúvida um modelo de gestão de rega que funcionou. Este modelo das associações de regantes tem funcionado bem e esta é a principal marca. Tem servido os interesses do país, tem sabido gerir a água sem precisar de ajudas estatais e os agricultores têm sido sempre bem servidos.

O Roxo transformou radicalmente esta região?
Sim, sim… O Roxo teve uma pujança inicial muitíssimo grande, com a cultura do tomate, que criou algum dinamismo e alguma agro-indústria. Infelizmente foi uma cultura que entrou em declínio… E agora estamos a começar com outras culturas. O Roxo também passou por alguns problemas de investimento relacionados com o facto de antes de estar ligados [ao Alqueva] nós nunca podermos garantir que a água não iria faltar. Porque a capacidade de encaixa natural de água que o Roxo tem é inferior àquela que necessita anualmente. E por isso havia anos em que o Roxo não regava. Mas com Alqueva hoje podemos dizer – que é o mais importante – que qualquer pessoa que venha para este perímetro de rega tem água!

Esta última década tem sido de mudanças significativas?
Muito significativas mesmo, principalmente para as culturas permanentes. Ninguém iria fazer culturas permanentes que dependiam de água e depois faltava a água. E isso mudou!

De que culturas falamos?
Olival, amendoal, figueiras, citrinos, fruteiras essencialmente. Se não houvesse uma garantia de água permanente não podiam estar aqui. E o Alqueva veio mudar a região, está a mudá-la e estou convencido que a grande mudança ainda está para vir.

Sente que Aljustrel tem um potencial agrícola tremendo?
Tem e isso vê-se! Estamos com projectos de instalação de agro-indústria na região bastante grandes. Ainda no final de Maio a empresa Campos do Roxo, que a Associação de Beneficiários do Roxo (ABR) ajudou a criar, aprovou um aumento de capital por parte dos sócios, de cerca de 150 mil euros, e foi aprovada a construção de uma unidade agro-industrial para a amêndoa, que esperamos que esteja pronta antes do início da campanha da amêndoa.

Qual o valor desse investimento?
Anda à volta dos 230, 240 mil euros… Mas no futuro, com a parte da britagem – que é tirar a casca e ficar só o miolo – e depois com a transformação do miolo, estamos a falar de um investimento de milhões. E há outros investimentos programados no campo da agro-indústria, mas que estão ainda na fase da discussão. Ou seja, há aqui um potencial muito grande. E estou convencido que Aljustrel vai ter aqui uma grande mais-valia por no seu concelho existir a barragem do Roxo, existir uma associação de regantes e existir aqui um perímetro de rega. Vai ser uma alternativa muito grande àquilo que Aljustrel tem sempre tido, que são as minas. Estou plenamente convencido que a agricultura irá fazer com que este seja um concelho com falta de mão-de-obra, onde não há desemprego e com um grande avanço tecnológico.

Neste momento, quais são as culturas mais importantes no perímetro de rega do Roxo?
Em termos de área continua a ser o olival. Depois vem o amendoal como a segunda cultura mais importante. E começam a aparecer outras culturas que penso que serão igualmente muito importantes e que poderão ser culturas de futuro. Têm é que ter por trás, nomeadamente as que são para ser consumidas em fresco, alguma estrutura de apoio. Temos de ter câmaras de frio, linhas de embalamento, para que esses produtos possam chegar aos mercados em boas condições.

É esse o grande passo que falta dar, não é? Haver agro-indústria nesta região?
Sem dúvida!

Mas está difícil…
Estamos a caminhar e acredito veementemente que vamos conseguir.

Isso é apenas convicção, intuição pessoal, ou existem manifestações de interesse por parte de empresas para investir nessa área?
Há contactos e das pessoas com quem falo sinto que estão interessadas nisso. E temos tido um grande parceiro, que comunga connosco desta preocupação, que é a Câmara Municipal – nomeadamente o seu presidente [Nelson Brito] –, que nos dá uma grande motivação para avançar.


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