00h00 - sexta, 18/05/2018

Castro Verde: Vereador da Cultura admite "cortes"

Castro Verde: Vereador da Cultura admite "cortes"

No rescaldo da "Primavera no Campo Branco 2018", o vereador da Cultura da Câmara de Castro Verde faz o balanço da iniciativa e revela as necessárias mudanças que vão ter de acontecer nesta área devido à actual situação financeira da autarquia. "Se olharmos para as limitações com que o Município se depara neste momento em termos financeiros, naturalmente que todas as áreas terão de ser tocadas por esta 'revisão' de afectação de verbas", argumenta David Marques ao "CA".

Que balanço faz da quinzena cultural "Primavera no Campo Branco 2018", a primeira organizada pelo novo executivo da Câmara Municipal?
Do ponto de vista daquilo que eram os objectivos principais foi claramente uma quinzena que atingiu todos esses objectivos. Regressámos ao formato de quinzena e conseguimos proporcionar nesses dias um conjunto de ofertas diversificadas, atingimos vários públicos em vários espaços e um pouco por todo o concelho. Além disso, foi uma montra interessante para artistas locais. E fizemos algumas experiências novas: alargámos o espaço da Feira do Livro, criámos um novo momento de promoção dos produtos locais, tivemos um ciclo de cinema português… Foi um conjunto de iniciativas que deu uma nova roupagem à quinzena, mas sem perder a sua essência e a linha que vinha detrás. Portanto, o balanço é positivo.

A quinzena de 2018 teve um orçamento menor, na ordem dos 30%. Qual o valor concreto da poupança?
Só para termos uma ideia, as últimas três edições desta iniciativa tiveram valores crescentes. Até chegar, em 2017, a um valor na ordem dos 77/ 78 mil euros. É certo que a programação cultural "Primavera no Campo Branco" ia além da quinzena, mas do ponto de vista do número de iniciativas não era muito distinta daquilo que oferecemos este ano. E nós baixámos bastante este valor em relação àquilo que aconteceu nos anos anteriores.

Mantiveram a "Primavera no Campo Branco", criaram o festival "Sabores do Borrego"… Quais as linhas orientadoras deste executivo no plano cultural?
Importa sublinhar uma questão: o compromisso em realizar a quinzena cultural em 2018 é apenas isso. Realizámo-la, mas não pomos em causa uma avaliação permanente de todos os eventos que o Município tem a seu cargo. Ou seja, enquanto expressão condensada e concentrada de oferta cultural [a quinzena] poderá ter algumas alterações no futuro. Já o festival "Sabores do Borrego" é uma aposta diferente. Apesar de ser um evento com uma matriz cultural importante, é um evento que tem uma base económica subjacente. Ou seja, é uma iniciativa cultural que potencia recursos ao nível da economia local e da ligação com o mundo rural e com a agro-pecuária.

Mas voltando à vossa linha orientadora para a Cultura…
A preocupação do Município é continuar a oferecer propostas culturais, de animação comunitária e de formação de públicos dentro daquilo que são os recursos e as limitações que o Município tem. E isso já aconteceu nas iniciativas que realizámos e nas que vamos realizar em breve. A aposta passa por fazer o mesmo ou melhor gastando menos. Isso aconteceu, por exemplo, com o "Entrudanças", onde tivemos uma poupança na ordem dos 15% em relação ao ano anterior. Aconteceu com a quinzena cultural, em que a poupança foi claramente superior. E vai acontecer com as próximas iniciativas culturais! Porque sabemos que temos limitações e que podemos continuar a proporcionar à população um conjunto de propostas com qualidade, mas afectando menos recursos da Câmara, que são necessários para muitas coisas além das propostas culturais.

Esta semana o PS defendeu a necessidade de haver medidas de poupança na Câmara de Castro Verde devido ao seu actual quadro financeiro, entendendo que esses "cortes" podem passar pela redução das transferências para investimento para as freguesias, dos subsídios ao movimento associativo e dos eventos culturais. Como encara esta proposta?
É uma área onde, de facto, importa avaliar a afectação de recursos e, naturalmente, é algo que estamos a estudar. Essa visão não está muito distante daquela que é a visão que partilho. Ou seja, nesse conjunto de transferências estamos a falar de mais de um milhão de euros. E se olharmos para as limitações com que o Município se depara neste momento em termos financeiros, naturalmente que todas as áreas terão de ser tocadas por esta "revisão" de afectação de verbas. Logo é uma preocupação que acompanho e parece-me que teremos de encontrar soluções nesse campo.

Ou seja, a Câmara de Castro Verde vai gastar menos em eventos?
Isso já está a acontecer. E no que toca às transferências para as juntas de freguesia e para o movimento associativo pode também passar por aí, numa importância que ainda importa avaliar.

Relativamente ao movimento associativo, isso passará pela revisão dos actuais protocolos?
Estamos a falar de ajustar aquilo que é a capacidade do Município em contribuir e afectar os seus recursos, directa e indirectamente, àquilo que são as possibilidades financeiras que tem. É um caminho pelo qual vamos ter que passar.


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Data: 09/11/2018
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