00h00 - sexta, 29/01/2016

Leonel Cameirinha:
"Beja não está a crescer"

Leonel Cameirinha: "Beja não está a crescer"

Quase a completar 90 anos e sempre muito atento à vida social e política da sua cidade e da região, Leonel Cameirinha não esconde algum desencanto com os dias que vivemos.
Em entrevista ao "CA", o Comendador lamenta igualmente o estado em que se encontra a capital do Baixo Alentejo.
"Vejo outras cidades a crescer e em Beja isso não acontece. Vejo isso com muita tristeza", diz.

Dentro de dois meses faz 90 anos. Como é que se sente?
É já muito ano! Mas não há dúvida que ainda tinha mais coisas para fazer se a vida fosse normal. Tive grande gosto em fazer muitas coisas em várias áreas na minha cidade. Na parte automóvel tive a sorte de as pessoas gostarem das marcas que tinha e consegui fazer sempre bons negócios e dar empregos a centenas de pessoas. Mas agora… os 90 anos pesam!

Tem uma história repleta de coisas boas.
A história da minha vida é linda. Tive amigos em todo o mundo e, normalmente, quando viajava em negócios, "era a estrela da companhia" [risos]. Nós eramos a empresa que mais vendia em quase todas as marcas quando eram feitos os cálculos das vendas em relação directa com a população. Eu era o "menino bonito" das marcas todas e ainda hoje muita gente me telefona a recordar esses tempos.

Acha que Beja reconhece aquilo que fez durante etas décadas?
Eu acho que fiz muito pela cidade! Fui das pessoas que mais contribuiu e procurou dar riqueza a Beja, seja na criação de negócios e de empregos ou na dinamização da economia. Sinto que cumpri o meu dever e trabalhei sempre muito para isso. Foram muitos anos de trabalho, mas hoje estou desgostoso porque nem tudo me corre bem com algumas pessoas da minha família, para quem trabalhei a vida inteira. Não merecia isto… que me tira muitas horas de sono!

Mas falemos da sua cidade. Como é que a encara hoje?
Não está a crescer! Está estacionada, com diminuição da população e da natalidade. Isto preocupa-me e eu gostaria que a situação fosse invertida. Devia haver um esforço de todos e especialmente da Câmara para mudar isto. Mas o Governo também tem obrigações nesta questão e uma palavra a dizer. Só com um esforço de todos poderemos mudar esta situação.

Por que é que a economia tem tanta dificuldade em dinamizar-se aqui?
Temos falta de iniciativa e de vontade. Não há intenções de criar bons negócios e, muito provavelmente, escasseia o dinheiro para investir. Não vejo empresários preocupados com essa situação e, mesmo em termos políticos, as três principais forças [PCP, PS e PSD] não estão a ajudar muito. Vejo outras cidades a crescer e em Beja isso não acontece. Vejo isso com muita tristeza! Se não houvesse aqui o Regimento [de Infantaria] e o Instituto Politécnico, Beja era quase zero…

Por que é que cidade não foi capaz de dar o salto?
Porque as pessoas não quiseram… ou não souberam! Eu fiz aquilo que pude e cumpri a minha obrigação.

Não acha que a agricultura está a ajudar muito a economia?
A agricultura tem andado para a frente com projectos muito bons. Ainda há dias fui à zona da Zambujeira do Mar e visitei uma exploração com muita qualidade. Mas a agricultura cria poucos postos de trabalho e sem emprego não conseguimos mudar isto! Precisamos de investimentos que criem emprego e tragam pessoas para aqui.


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